Um passo atrás na equidade de gênero

Contribuição: Profª. Liliane Furtado

Avanços na agenda de equidade de gênero no universo corporativo foram visíveis nos últimos anos, quando o número de mulheres em cargos executivos aumentava a cada nova pesquisa realizada por consultorias e especialistas. Tal movimento, no entanto, começa a dar sinais de arrefecimento, sinalizando não só para estagnação do processo, mas – essa é a má notícia – para retrocessos.

A presença feminina em posições de decisão, como a de presidente, vice-presidente e em diretorias e conselhos, não só tem se mantido nos patamares de anos anteriores ou tiveram alta modesta, sem conquistas expressivas, como diminuiu, em alguns casos. A análise desses dados de equidade de gênero nas corporações traz um fato novo em relação ao tema diversidade, relacionado ao retorno de um conservadorismo dos costumes. No Brasil, há progressos, mas as estatísticas mostram resultados tímidos, aquém do esperado quando se leva em conta os bons desempenhos das pesquisas anteriores.

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Pesquisa acadêmica conduzida por Liliane Furtado, professora de Comportamento Organizacional e Liderança, da Coppead, realizada com as 100 maiores empresas do ranking do Valor 1000 de 2023, mostrou que dos 1.364 executivos dessas empresas no topo profissional, apenas 240 eram mulheres. “O curioso é que maioria das companhias divulgava, em documentos oficiais, que valorizava a diversidade, mas não praticava esse discurso”, diz Furtado. Percepção semelhante tem Luísa Gon, gestora de RH e analista comportamental da RHF Talentos, para quem os avanços estão mais focados em políticas nas grandes empresas, mas que nem sempre são refletidas em ações.

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