
Artigo: Raphael Moses
Na coluna deste mês, quero debater com o leitor algumas frases, decisões e raciocínios no mundo das Finanças que, à primeira vista, parecem absolutamente óbvios, mas que podem levar a conclusões equivocadas. Em alguns casos, o erro está na aplicação incorreta de um conceito financeiro básico. Em outros, a afirmação pode até ser verdadeira em determinadas circunstâncias, mas deixa de fazer sentido quando é transformada em uma regra geral. Finanças, afinal, têm dessas coisas: muitas vezes, a conta parece simples justamente porque alguma variável importante ficou de fora. Vamos a alguns exemplos.
- Meu saldo devedor é a soma das parcelas que ainda faltam.
Esse é um erro bastante comum e envolve talvez o conceito mais básico da Matemática Financeira: o valor do dinheiro no tempo. Para descobrir o saldo devedor de um empréstimo para fins de quitação antecipada ou mesmo para avaliar um refinanciamento em prazo maior e/ou taxa menor, o devedor não pode simplesmente multiplicar o número de parcelas restantes pelo valor da prestação. O motivo é simples: as parcelas serão pagas em datas diferentes. Somar valores de momentos distintos sem trazê-los para uma data comum pode produzir uma conta matematicamente correta, mas financeiramente errada.
Vamos a um exemplo: imagine que você tenha tomado um empréstimo de R$ 75.000,00 para ser pago em 15 prestações mensais, iguais e postecipadas, a uma taxa de juros de 1% ao mês. Nessas condições, o valor da prestação será de aproximadamente R$ 5.409,28.
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