O sinal da curva de juros após a alta do petróleo

Artigo: Raphael Moses

Na coluna deste mês, abordarei a mudança recente nas expectativas do mercado em relação à inflação brasileira e os impactos desse movimento sobre a economia, tanto no cenário atual quanto nas perspectivas para os próximos anos. A divulgação de um IPCA-15 de fevereiro mais pressionado, combinada com a recente disparada do preço do petróleo em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio, levou o mercado a rever parcialmente a precificação do risco inflacionário.

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A inflação implícita é um indicador bastante observado no mercado financeiro. Ela reflete, de forma aproximada, a diferença entre a taxa de juros nominal de títulos prefixados (como LTN e NTN-F) ou da curva de DI futuro, e a taxa real dos títulos indexados à inflação (NTN-B e NTN-B Principal) de vencimentos semelhantes. Em termos simplificados, podemos pensar na seguinte relação:

Inflação implícita ≈ taxa nominal – taxa real

É importante destacar, entretanto, que essa diferença não representa uma previsão direta de inflação. Na prática, ela carrega também um prêmio exigido pelos investidores para compensar riscos inflacionários, além de fatores como liquidez e posicionamento de mercado. Uma maneira simples de visualizar esse movimento é observar o comportamento recente dos títulos públicos. Como exemplo, podemos considerar dois papéis com vencimentos bastante próximos: a LTN 2032 (vencimento em 01/01/2032) e a NTN-B 2032 (vencimento em agosto do mesmo ano). Convido o leitor a acompanhar a evolução recente dessas taxas no próprio site do Tesouro Direto.

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