
Contribuição: Claudia Araujo
O tempo de espera de pacientes renais na fila de transplante de órgãos pode ser otimizado pelo uso da inteligência artificial. É o que aponta um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (Coppead) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). De acordo com Claudia Araujo, professora do Coppead, o cenário atual de transplante de rim no Brasil é caracterizado por processos ainda muito manuais, em especial na fase de pré-transplante, o que gera grandes gargalos.
Entre os problemas apontados está a fragmentação de dados. As informações do paciente (exames laboratoriais, consultas, prontuários) vêm de fontes distintas, como hospitais e laboratórios diferentes, o que dificulta a atualização em tempo hábil no sistema central.
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“Em alguns casos, mesmo após anos na fila de espera, um órgão compatível pode surgir, mas o paciente não é contemplado porque seus dados não foram devidamente inseridos ou atualizados no sistema”, adiciona.
Outra dificuldade é o desperdício de órgãos. Segundo a professora, muitos órgãos acabam sendo descartados porque o processo de identificação de compatibilidade é lento. “Estamos falando de um cenário que é crítico.”
Em 2024, cerca de 78 mil pessoas aguardavam por transplante no Brasil e o rim era o órgão mais demandado, com aproximadamente 42,8 mil pacientes na fila, segundo o Ministério da Saúde.
Como a IA pode ajudar?
Os pesquisadores não estimaram o tempo que poderia ser economizado com o uso da IA. Apesar disso, Claudia afirma que a tecnologia pode otimizar o serviço em três frentes principais.
A primeira é justamente na organização e integração de dados fragmentados. Isso permite que o médico saiba em tempo real se o paciente está clinicamente apto para receber um órgão e se está com a saúde equilibrada para a complexidade da cirurgia.
“O segundo benefício é ajudar a ver a compatibilidade entre doador e receptor”, cita a autora. “É como se o médico tivesse um segundo cérebro com milhares de informações apoiando-o na tomada de decisão com mais rapidez e assertividade.”
Um ponto de destaque, afirmam os pesquisadores, é que os efeitos positivos são percebidos quando a tecnologia é aplicada na fase de pré-transplante, ainda pouco explorada academicamente. Uma revisão bibliográfica com mais de 180 estudos sobre transplantes identificou que apenas 10% deles se concentravam nesse período.
Segundo a professora, a fase de pré-transplante começa quando o paciente recebe o diagnóstico de falência de algum órgão e a indicação médica para o transplante. A partir desse momento, ele é inserido na fila de espera e passa a ser monitorado pelo sistema de saúde.
Nesse período, o paciente é submetido a uma avaliação multidisciplinar com diferentes profissionais de saúde, além de exames laboratoriais e clínicos que detalham seu estado geral. Para permanecer apto a receber um órgão, é preciso manter esses dados atualizados, em intervalos de seis meses.
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