O futuro do Pix e os riscos que o Brasil evita discutir

Artigo: Claudio de Moraes

Há algo quase cínico no debate brasileiro sobre o Pix. Todos defendem o sistema e celebram seus números, mas poucos discutem suas contradições. O Pix virou um patrimônio nacional instantâneo, mas é preciso discutir suas consequências nem sempre convenientes.

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Os números mostram a dimensão da mudança. Em 2024, o Pix processou 63,5 bilhões de pagamentos e transferências, movimentou aproximadamente R$ 26,4 trilhões, integrou 876 provedores de conta de pagamento e alcançou 163,4 milhões de usuários. Mais de 70 milhões de brasileiros fizeram sua primeira transferência bancária por meio do Pix. O uso de papel-moeda caiu de 83,6% dos brasileiros em 2021 para 68,9% em 2024, enquanto a parcela que usava dinheiro como meio de pagamento mais frequente recuou de 42% para 22%.

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Na ponta dos problemas vemos um crescimento das fraudes. Dados divulgados na imprensa, com base em informações obtidas via Lei de Acesso à Informação, indicam que golpes identificados pelo Banco Central somaram R$ 6,5 bilhões em 2024. A devolução efetiva foi de cerca de R$ 459 milhões, aproximadamente 7% do valor movimentado em golpes financeiros, roubos de conta e extorsões. Em termos relativos, isso pode parecer pequeno diante de bilhões de transações; em termos humanos, é gigantesco.

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