
Talvez seja um sinal da idade ou, talvez, apenas o efeito de muitos anos observando, pesquisando e ensinando sobre o sistema financeiro. Mas confesso que estou cansado das velhas finanças. Não das finanças em si. Continuo fascinado pelo papel dos mercados, dos bancos, dos investimentos e pela capacidade que o sistema financeiro possui de transformar poupança em crédito, coordenação econômica e desenvolvimento. Esse fascínio continua intacto. O que se desgastou foi outra coisa. Foi a moldura estreita dentro da qual ainda insistimos em discutir as finanças em pleno século XXI.
Abro os jornais e reencontro o repertório de sempre. O próximo IPO. A próxima emissão. O próximo fundo. O próximo ativo capaz de render alguns pontos percentuais acima do mercado. Nada disso é trivial. Tudo isso tem seu lugar. O problema está em outro ponto. Seguimos debatendo movimentos internos da engrenagem como se o terreno em volta dela permanecesse o mesmo.
Não permanece.
O mundo mudou de escala, de risco e de urgência. A crise climática deixou de ser advertência para se tornar ambiente. A crise energética começou a se impor como condição material de quase tudo. A inteligência artificial (IA), os data centers, a eletrificação da mobilidade, a reorganização industrial, a disputa por minerais críticos e a expansão da infraestrutura elétrica estão recolocando, de forma brutal, os limites físicos do desenvolvimento. E, apesar disso, grande parte do debate financeiro continua prisioneira de um vocabulário pequeno demais.
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