ESG e Smart Beta na bolsa brasileira: Quando a integração vale a pena?

Artigo: Raphael Moses

Na coluna deste mês, quero compartilhar com o leitor os resultados de um artigo acadêmico que acaba de ser aceito no Latin American Business Review, escrito em coautoria com Artur Pinho da Silva. O tema é a integração entre estratégias ESG (ambiental, social e de governança) e smart beta no mercado brasileiro de ações. Antes de entrarmos nos números, vale contextualizar o debate. O investidor brasileiro tem ouvido falar cada vez mais sobre ESG, seja pela pressão de investidores estrangeiros que exigem parâmetros ESG na alocação, seja pela crescente atenção da CVM e da B3 ao tema, seja pela multiplicação de fundos de investimento que se apresentam como “sustentáveis” ou “responsáveis”. A pergunta prática, no entanto, é bem menos glamourosa: investir com filtro ESG dá dinheiro ou é só marketing?

[…]

Analisamos 115 meses de dados (de junho de 2015 a dezembro de 2024), o que cobre praticamente uma década — incluindo a pandemia, dois governos, ciclos completos de alta e baixa da Selic e episódios de estresse do câmbio. Ou seja, é um teste em condições reais, não um cherry-picking de período favorável.

[…]

RESULTADOS:

O que os números mostraram foi um padrão em três níveis, muito claro.

Nível 1 — ESG puro não funciona sozinho. Quando as empresas eram escolhidas apenas pelo score ESG, sem qualquer critério econômico, os alfas ficaram estatisticamente iguais a zero. Traduzindo: essas carteiras não superaram o mercado depois de ajustadas pelo risco. O filtro ESG isolado não é uma estratégia de geração de retorno no Brasil. Isso, na verdade, é uma boa notícia — mostra que o mercado brasileiro não está deixando dinheiro na mesa por causa de ESG, o que faria pouco sentido econômico. Se uma variável tão observada e discutida gerasse retornos anormais consistentes, o mercado já teria arbitrado essa oportunidade há muito tempo. Ou seja, comprar uma cesta de “boas empresas ESG” e esperar retorno superior é, do ponto de vista financeiro, uma ilusão. É uma escolha legítima do ponto de vista de valores pessoais — e isso tem valor —, mas não é uma estratégia para ganhar mais dinheiro que o mercado.

[…]

Veja o artigo completo aqui.

A coluna também se tornou notícia no Agro+ Uol e Monitor Mercantil.

Veja todas as nossas outras notícias clicando aqui.

Rolar para cima
Scroll to Top