
Um dos grandes avanços da economia contemporânea, particularmente da teoria dos contratos, diz respeito ao poder dos incentivos. Não é exatamente minha área de especialização, pois trabalho com macroeconomia e banking, mas a ideia é relativamente simples. Boa parte das relações econômicas pode ser entendida como uma relação entre principal e agente.
A formulação clássica aparece em Jensen e Meckling (1976) e foi desenvolvida pela teoria dos contratos, com contribuições de Holmström (1979) e Grossman e Hart (1983). O principal deseja que o agente tome determinadas decisões, mas seus interesses não são necessariamente os mesmos. Além disso, existe uma assimetria fundamental: o agente normalmente conhece melhor suas ações e intenções do que o principal.
Os incentivos surgem justamente para tentar alinhar esses interesses. Quando levamos essa lógica para a política pública, o governo atua, em última instância, em nome da sociedade. Se queremos mais investimento, estabilidade financeira ou determinadas atividades socialmente desejáveis, criamos incentivos para que empresas e indivíduos, perseguindo seus próprios interesses, também produzam esses resultados.
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