Bem-estar animal deixa o campo técnico e vira critério de mercado na avicultura

Contribuição: Profª. Celso Lemme

A incorporação do bem-estar animal à estratégia das empresas deixou de ser restrito à área técnica e passou a influenciar diretamente decisões de investimento, posicionamento de mercado e sobrevivência dos negócios na avicultura. Mais do que uma exigência ética, o tema ganha peso econômico ao impactar produtividade, sanidade e, sobretudo, a capacidade de retenção de clientes em um ambiente de consumo em transformação.

Na avaliação do doutor em Administração, mestre em Engenharia de Produção e professor do Instituto COPPEAD da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Celso Funcia Lemme, a inserção do bem-estar animal na avicultura atua como vetor de inovação nos sistemas produtivos. “Se você olhar ao longo dos anos como se produziu automóveis, vestuário ou qualquer outro bem, vai ver que os modelos de negócio mudam. Na produção de alimentos não é diferente, e o bem-estar animal passa a ser um fator de motivação para essa inovação”, afirma.

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Um dos principais entraves à adoção de práticas mais alinhadas ao bem-estar animal ainda é a percepção de aumento de custos. Para o especialista, essa análise é incompleta quando desconsidera o risco de não adaptação. “É muito comum ouvir que a transição tem custo. Mas maior do que o custo de mudar pode ser o risco de não mudar e não sobreviver”, enaltece Lemme.

Ele recorre a exemplos históricos para ilustrar o argumento. “A sociedade avisou por décadas que o modelo baseado na escravidão não tinha futuro. O mesmo ocorreu com direitos trabalhistas e rotulagem de validade. No início, tudo foi visto como custo. Hoje, são práticas indispensáveis”, ressalta.

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Na avaliação de Lemme, a adaptação a novos padrões de produção não é apenas uma resposta a pressões externas, mas um movimento necessário para manter competitividade e acesso a mercado. “Sustentabilidade é capacidade de sustentar no tempo. É, em última análise, uma discussão sobre sobrevivência dos negócios”, frisa.

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