As alternativas que o Ceará dá para alta dos combustíveis

Contribuição: Profª. Glaucia Fernandes

O conflito no Oriente Médio completa um mês gerando impactos nas cadeias globais de petróleo e ameaçando o crescimento do PIB mundial
O Ceará se destaca na resposta à crise com investimentos superiores a R$ 8 bilhões em projetos de energia previstos para operar entre 2027 e 2030
A Petrobras planeja reativar a Usina de Biodiesel de Quixadá, aproveitando a logística da ferrovia Transnordestina para o transporte de grãos e produção de combustível vegetal. No Porto do Pecém, a criação de um hub de gás natural (GNL) e a futura produção de hidrogênio verde são apostas centrais para garantir a autossuficiência e a descarbonização. O Grupo Dislub Equador investe R$ 610 milhões em um novo terminal de armazenamento no Pecém, visando aumentar a eficiência do abastecimento e equalizar preços regionais a partir de 2027.

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Entre inflação e fraudes: Fiscalizações avançam nos estados

Desde que o governo Lula editou pacote de medidas para a redução do preço do diesel, com expectativa de alívio de R$ 0,64 por litro, o reforço na fiscalização de postos e distribuidoras de combustíveis é a ação mais notada.

Na semana que passou, a Polícia Federal (PF) realizou a Operação Vem Diesel, em conjunto com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e Procons, em 11 capitais de estados e no Distrito Federal, incluindo Fortaleza.

A ação ocorre em meio ao aumento acumulado de quase 20% no preço do diesel no País, o que tem afetado a inflação.

Para a economista Gláucia Fernandes, especialista em Energia e professora Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppead/UFRJ), o mercado já reage com revisões de projeção do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), para 4,1%, e chegando a até 5% em olhares mais pessimistas, o que ultrapassaria o limite da meta e poderia gerar implicações sobre a taxa básica de juros (Selic).

Ainda assim, a economista destaca o movimento da Petrobras de investir na produção doméstica de biocombustíveis, reduzindo a dependência do diesel fóssil importado.

“Nesse contexto, a Petrobras segue atuando, na prática, como um mecanismo de amortecimento das oscilações externas, evitando repasses imediatos e integrais ao consumidor final”.

No entanto, no curto prazo, a pressão internacional prolongada gera recomposição de preços.Do ponto de vista da fiscalização, a atuação da força-tarefa de diversos órgãos de defesa do consumidor e polícias visa ao combate do reajuste abusivo de preços.

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Para a economista especialista em Energia e professora da UFRJ, Gláucia Fernandes, há um cenário de “modo de emergência” no mercado internacional, com diversos países tentando conter os efeitos econômicos imediatos da alta do petróleo enquanto aumentam, ao mesmo tempo, os incentivos para uma solução diplomática.

A analista pontua que a situação varia muito entre os países. A China, por exemplo, dispõe de reservas suficientes de petróleo para sustentar o consumo por alguns meses, “o que lhe dá margem de manobra maior no curto prazo”.

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Trump é “elemento de incerteza” e guerra pode gerar novo ciclo de alta da Selic

Gláucia Fernandes, economista, doutora em Administração, especialista em Energia e professora do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppead/UFRJ), observa que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é um “elemento de incerteza” mesmo em meio à demanda global de fim do conflito.

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O POVO – No cenário internacional, já existem países sofrendo com altas de preços, como a Argentina e Uruguai, além dos países europeus. Temos agora o Trump falando em trégua. A China possui uma reserva de petróleo de meses. Qual o desenho que podemos fazer em relação a como os países devem trabalhar pelo fim do conflito por conta da pressão econômica?

Gláucia – No cenário internacional, o que se observa é uma atuação em “modo de emergência”, com diversos países tentando conter os efeitos econômicos imediatos da alta do petróleo enquanto aumentam, ao mesmo tempo, os incentivos para uma solução diplomática do conflito. Uma das principais frentes tem sido o uso coordenado de estoques estratégicos: a Agência Internacional de Energia anunciou a liberação de cerca de 400 milhões de barris, um volume expressivo, justamente para tentar frear a escalada de preços e dar algum alívio temporário aos mercados.

A situação, no entanto, varia entre os países. A China, por exemplo, dispõe de reservas suficientes para sustentar o consumo por alguns meses, o que lhe dá uma margem de manobra maior no curto prazo. Ainda assim, o encarecimento do transporte marítimo e eventuais interrupções no fluxo pelo Estreito de Ormuz pressionam diretamente sua indústria manufatureira, altamente dependente de energia estável e barata. Esse contexto pode levar Pequim a adotar uma postura mais ativa como mediadora, já que uma paralisação industrial teria impactos relevantes tanto domésticos quanto globais.

Nos Estados Unidos, a posição de Donald Trump adiciona um elemento de incerteza. Embora haja sinalizações pontuais de trégua, como o recuo em ataques a infraestruturas energéticas, o discurso permanece ambíguo, combinando abertura para negociação com uma leitura de vantagem estratégica no campo militar. Essa ambiguidade tende a prolongar a instabilidade, dificultando uma resolução rápida.

Enquanto isso, economias mais vulneráveis, como Argentina e Uruguai, já enfrentam repasses quase imediatos dos aumentos de combustíveis, com impactos diretos sobre a inflação e o custo de vida. Diferentemente de países com maior grau de autossuficiência energética, essas economias têm menos instrumentos para amortecer choques externos.

O desenho geral que emerge é o de uma pressão econômica crescente, sobretudo vinda de grandes importadores da Europa e da Ásia, funcionando como principal vetor para uma solução diplomática. À medida que os custos de energia ameaçam crescimento, cadeias produtivas e estabilidade política, aumenta o incentivo para que governos atuem de forma mais coordenada em busca do fim do conflito, não apenas por razões geopolíticas, mas principalmente pela necessidade de evitar um choque econômico mais profundo e prolongado.

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