A IA tem sede de gigawatts: o Brasil está pronto para a conta?

Artigo: Profª. Glaucia Fernandes

A inteligência artificial generativa opera na nuvem, mas respira gigawatts no chão de fábrica da economia digital. Segundo análises da Agência Internacional de Energia (IEA), o consumo global de eletricidade de data centers deve mais que dobrar até 2030, aproximando-se da marca de 1.000 TWh anuais, impulsionado pela computação intensiva de servidores acelerados (GPUs) para treinamento e inferência de modelos de IA. Esse avanço acelerado inaugurou um choque de realidade na transição energética: não basta substituir a matriz fóssil legada; é preciso atender a uma demanda contínua, massiva e concorrencial por eletricidade descarbonizada.

Para o Brasil, cuja matriz elétrica conta com mais de 80% de fontes renováveis, abre-se uma janela geopolítica singular – cercada, contudo, por restrições operacionais severas.

O apetite do mercado reflete essa corrida. Dados do Ministério de Minas e Energia (MME) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apontam que os pedidos de conexão à rede elétrica para projetos de data centers já superam a marca de 38 GW em potência demandada, com mais de 7 GW já formalizados ou com pareceres favoráveis emitidos. Todavia, a conversão desse interesse em polos sustentáveis de processamento esbarra em exigências regulatórias mandatórias e na física do Sistema Interligado Nacional (SIN).

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